Lance antológico no Monumental de Nuñez garantiu classificação épica do Vasco para a final de 1998
O ano de 1998 reservou ao futebol sul-americano um dos momentos mais memoráveis de sua história. Em uma noite fria de Buenos Aires, no icônico estádio Monumental de Nuñez, Juninho Pernambucano gravou seu nome para sempre na mitologia do Vasco da Gama com uma cobrança de falta que transcendeu os limites do esporte.
O cenário era de tensão máxima. Tratava-se do jogo de volta das semifinais da Copa Libertadores, com o Cruz-Maltino defendendo a vantagem mínima conquistada no Rio de Janeiro. Na partida de ida, Donizete havia garantido o triunfo por 1 a 0, colocando o time brasileiro em posição favorável para avançar à decisão continental.
Jogando em seus domínios, o poderoso River Plate mostrou por que era temido em toda América do Sul. Os argentinos abriram o placar cedo, empatando o confronto no agregado e colocando pressão sobre os visitantes. O empate levaria a decisão para a disputa por pênaltis, situação que favorecia naturalmente os donos da casa.
O primeiro tempo foi marcado pela intensidade e pelas oportunidades perdidas de ambos os lados. Gallardo desperdiçou duas chances claras para ampliar a vantagem argentina, enquanto o Vasco respondeu com Luizão, que sofreu um pênalti evidente não assinalado pela arbitragem. A frustração pairava no ar entre os jogadores brasileiros.
Conforme os minutos finais se aproximavam, tudo indicava que a classificação seria decidida nas penalidades máximas. O nervosismo tomava conta do gramado, e cada jogada ganhava importância crucial para o destino de ambas as equipes.
O momento que mudou tudo

Aos 37 minutos da segunda etapa, quando o cronômetro indicava o fim iminente da partida, Montserrat cometeu uma falta em Vagner próximo à área do River Plate. A posição era favorável para uma cobrança direta, mas as condições psicológicas eram adversas para o cobrador.
Os jogadores argentinos imediatamente se posicionaram para perturbar a concentração de Juninho Pernambucano. Gritos, provocações e tentativas de intimidação faziam parte da estratégia para desestabilizar o meia brasileiro, que mantinha a serenidade característica de grandes craques em momentos decisivos.
O que aconteceu a seguir entraria para os anais do futebol mundial. Juninho posicionou a bola com calma, deu alguns passos para trás, respirou fundo e executou uma cobrança de falta tecnicamente perfeita. A trajetória da bola desenhou uma curva majestosa no ar portenho, vencendo a barreira humana e encontrando precisamente o ângulo superior do gol defendido por Burgos.
O silêncio sepulcral que se abateu sobre o Monumental contrastava dramaticamente com a explosão de alegria dos jogadores vascaínos. Juninho correu em direção aos companheiros em uma celebração que simbolizava não apenas um gol, mas a concretização de um sonho continental.
O eco eterno de uma noite histórica
Aquele gol representou muito mais que uma simples classificação. Foi o momento que catapultou o Vasco da Gama para a final da Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil, competição que o clube brasileiro acabaria conquistando de forma invicta.
A genialidade técnica de Juninho naquela cobrança de falta se transformou em patrimônio cultural do clube. Décadas depois, a torcida vascaína ainda entoa o cântico que imortaliza aquele momento: “Contra o River Plate sensacional, gol do Juninho, Monumental”.
O lance transcendeu gerações e continua sendo reproduzido como exemplo de técnica apurada e sangue-frio em situações de extrema pressão. Para o Vasco da Gama, representa um dos capítulos mais gloriosos de sua rica história no futebol sul-americano.
Naquela noite de 1998, Juninho Pernambucano não apenas marcou um gol – ele esculpiu um momento eterno na memória do futebol brasileiro.